Na Escuridão, de Faye Kellerman, [Opinião]



Género: Policial
Editora: Harper Collins 
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal

“Na Sombra” é um policial com ritmo, cheio de protagonistas, onde suspeitos não faltam. Uma investigação com requinte, uma equipa de investigadores que cria uma grande empatia ao leitor, onde reina o bom humor, para além de estarem dotados de um grande profissionalismo. Faye conseguiu divertir-me com os diálogos das suas personagens.

ao contrário da maioria dos policiais, Faye criou como personagem principal Decker, um inspector-coordenador de homicídios à imagem de uma pessoa divertida, com uma relação de companheirismo com os seus subalternos, com um ambiente familiar sereno e de grande cumplicidade com a esposa. Deliciei-me com o afeto entre os dois e suas ternas picardias.

O enredo da história esse não é nada de complexo, sem grande enigma, com um final sem grande surpresas para mim, pois logo cedo consegui prever o responsável pelos crimes. No entanto é escrito de forma a proporcionar uma agradável leitura, acompanhando a investigação no terreno em tempo real, investigação essa baseada na eliminação de suspeitos, que como já referi, são bastantes. 

Um livro que se lê muito bem e embora as suas 430 páginas, não se tornou maçudo, pelo contrário foram cinco dias em torno de uma leitura mais relaxada e foram cinco dias, porque o calor foi inimigo da minha leitura, caso contrário nunca levaria tanto tempo.

Uma leitura que recomendo, uma autora acompanhar. Um livro que me deixou com pena de ter de abandonar as suas personagens residentes, adorei-as!

Classificação Aneal: (6.5/10) 

As Sombras da Dúvida, de Tom Rob Smith [opinião]



Género: Thriller Psicológico
Editora: Marcador
Sinopse: aqui



Tiro Opinativo: By Corvo



Este thriller psicológico prendeu-me a 100%! Desde o principio que não larguei o cartucho, devorando cada palavra e cada capitulo, totalmente intrigado e envolvido, se é verdade ou mentira, as provas, os suspeitos, os acontecimentos, a conspiração... Não estava mesmo a ver como é que esta história iria acabar, qual seria a reacção do filho  face à história cuidadosamente relatada pela sua mãe, em quem ele deveria confiar se na mãe ou no pai. Adorei o final, as investigações do filho, o encaixar de todas as peças, as revelações, as conclusões, e o que ele fez depois à mãe... Muito bom! Recomendo este livro, sem reservas.  É o autor a seguir, sem dúvida! 


«As vozes paralelas são cativantes, alternando verdade e conjetura de uma forma que nos confunde. Entre mistério e confissão. As Sombras da Dúvida está repleto de segredos. Fascina-nos, intriga-nos. Respire fundo e mergulhe com uma mente aberta.» - Shelf Awareness

«Arrepiante, hipnótico e completamente viciante.» - Mark Billingham


Classificação: Cartucho de Ouro (5/5)

O Livro dos Baltimores, de Joël Dicker, [Opinião]



Género: Romance/Drama
Editora: Alfaguara Portugal
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal

Devido à minha lealdade e gosto quase unicamente pelo policial/thriller, foi um desafio para mim ler este livro de Joel Dicker, consciente de que estaria afastar-me da minha zona de conforto. Li em tempos “A verdade sobre o caso de Henry Quebert” que gostei imenso, mas desde já refiro que com este foi diferente e não me conquistou da mesma forma.

O livro é narrado por Marcus Goldman pertencente aos Goldman de Montclair, atualmente um famoso escritor, que se retira para uma das suas residências afim de escrever um novo livro. É nesse retiro e desencadeado por um encontro inesperado, que Marcus começa a reviver as suas memórias e lentamente vai nos contando através de uma narrativa, descrita com bastante pormenor, o seu passado e de toda a família Goldman. Um passado cheio de história e sentimentos, um mundo visto pelo olhar de uma criança e mais tarde de um jovem.
Um amor de juventude perdido, uma amizade intensa e sem limites, um amor aliado à inveja pelos primos e tios devido a uma riqueza e estatuto que ele não tinha, os ciúmes, a idolatração...a queda de um gigante..um drama.

Toda esta história é escrito em diferentes tempos alternados ao longo de todo o livro, não havendo uma ordem cronológica. Para mim estas diferenças temporais conferiram ao livro uma aceitável leitura, evitando se tornar demasiado maçudo. A mudança dos anos, a alteração das personagens envolvidas e os acontecimentos, permitiu manter a minha curiosidade em avançar na sua leitura. Mas tenho de confessar que houve alturas em que começava a ficar entediada, com a minuciosidade com que era relatado determinados períodos da vida dos primos, percebendo mais tarde a sua importância, para o desfecho daquela família.

“O drama” como lhe chama Marcus, é o acontecimento usado a maior parte das vezes para situar as histórias, “...meses antes do drama”, “...anos depois do drama” e cuja revelação foi adiada até quase ao final do livro e era esta palavra “drama” que ecoava na minha cabeça à medida que ia avançando as páginas. Uma palavra inteligentemente usada para me manter curiosa.

“O Livro dos Baltimores”, foi uma leitura completamente diferente do que costumo me propor a ler pois nada tem de thriller, no entanto não deixou de ser uma leitura agradável. Gostei imenso das personagens, vi neste livro um propósito, o de transmitir uma mensagem ao leitor no que refere a relações familiares, à amizade e outros assuntos de reflexão e até mesmo de aprendizagem. Foi este conjunto de fatores e a palavra “drama”, que mantiveram a minha leitura até ao fim.

Embora este não seja o meu género literário de eleição, não fico indiferente à escrita de Joel, classificando-o como um excelente escritor, com muita originalidade na forma como escreve e estrutura os seus livros. Este livro será a delicia de muitos leitores, disso não tenho dúvidas.

Classificação Aneal: (6/10) 


Deixei-te Ir, de Clare Mackintosh, [Opinião]



Género: Policial e Thriller 
Editora: Marcador
Sinopse: Aqui


Opinião: By Aneal

Um atropelamento, uma fuga, uma criança morta...o desespero de uma mãe que a tudo assiste.

Um livro escrito inicialmente em duas frentes:

De um lado temos Jenna, uma personagem através da qual a autora consegue, criar um sentimento de dor e desespero tão real, que o leitor vê-se contagiado por esses sentimentos e é arrastado para um mundo dramático e cheio de emoções. Por momentos esquecemos que estamos perante uma ficção e todo aqueles sentimentos descritos entranham-se na nossa pele. Ela é uma mulher que vê seu mundo desabar, corroída pela culpa, pelo desgosto físico e psicológico...a luta pela sobrevivência de uma vida que insiste em acabar.

Do outro, uma dupla de investigadores que lutam contra a impotência, perante um crime que não tem qualquer ponta por onde pegar, que se vêm perante a ordem de arquivar o processo mas que o sentimento de falhanço para com aquela criança morta e sua mãe, impede-os de abandonar a investigação, persistindo na procura do autor do atropelamento. Também as suas relações profissionais e pessoais são exploradas.

Até sensivelmente a meio do livro é apenas isto e se não fosse a envolvente escrita da autora e o tão engenhoso contágio de sentimentos, eu teria começado a desmotivar pela falta do desenrolar da ação. Mas eis que de repente em apenas uma frase, vejo-me a parar na leitura para tentar digerir o que acabara de ler e dou por mim a repetir o gesto por uma segunda vez! O estado atónico em que fiquei durou alguns minutos, os quais aproveitei para relembrar tudo que tinha lido até ali, tentando perceber o que me escapara. Finalmente caindo na realidade tomei consciência de que acabara de tropeçar numa leitura que iria ser o meu desassossego, sendo invadida pelo desespero de entrar rapidamente na segunda parte do livro. Por isso, aconteça o que acontecer, leiam até ao fim.

Depois disto como podem ver, o livro está dividido em duas partes e assim que entramos na segunda, ficamos com a sensação de se tratar de um outro livro, mas é a partir daqui que começamos a perceber a importância da tão descritiva primeira parte, ela é primordial para provocar no leitor o choque. Começa então uma vertiginosa e arrepiante história de arrancar o fôlego. Caíamos num abismo de onde só conseguimos sair na última página.
No entanto gostaria de fazer uma pequena observação em relação ao final, houve ali um pormenor na história dispensável a meu ver, que fez com este se tornasse um pouco “fantasioso”.

Uma autora brilhante que conseguiu superar muitos dos thrillers que li até hoje, emocionalmente forte, inteligentemente escrito, um livro diferente que se tornou uma agradável surpresa. Clare foi neste livro uma mestra no ludibriar.

Classificação Aneal: (8.5/10) 


Teia de Mentiras, de Heather Gudenkauf, [Opinião]




Género: Policial e Thriller 
Editora: TopSeller
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal

“Teia de Mentiras” é um livro que me despertou imensa curiosidade pelo título, pela sinopse e pela critica da imprensa, ainda mais estando classificado como um thriller psicológico.

Com a morte de sua tia, Jack vê-se obrigado a regressar à sua cidade natal acompanhado de sua esposa Sarah. A presença dos dois desencadeia uma serie de acontecimentos que são o foco de todo o enredo do livro, muito bem descrito na sinopse.

Sarah é a figura central de toda a ação, uma mulher que em poucos dias vê todo o seu mundo virado do avesso, quando a pouco e pouco começa a descobrir que esteve durante 20 anos casada com um homem, cujas historias por ele contadas sobre o seu passado eram baseadas na mentira. Uma mulher que vê o seu casamento até então feliz, a desmoronar-se como um castelo de cartas, soprado por um forte vento de mentiras e segredos. Como se isso não bastasse, vê-se também arrastada para uma investigação, cuja família do seu marido é suspeita.

Paralelamente a tudo isto e usando a sua experiência como ex-jornalista, começa também ela a sua própria investigação referente ao crime de à 30 anos atrás, com a esperança de descobrir toda à verdade acerca daquele homem com quem está hoje casada e pai das suas filhas. Mas à medida que vai desenterrando o passado, com ele crescem ainda mais as suas dúvidas e as respostas dão lugar a mais perguntas.

Numa cidade desconhecida, apanhada numa teia de mentiras, bem no centro de uma família disfuncional que vive assombrada pela tragédia, Sarah transportou-me para um mundo dramático, recheado de emoções fortes, onde reina a desconfiança, a angustia, o ciúme, o medo, um sentimento de traição...sentimentos capazes de enlouquecer uma pessoa.

Quanto ao final, confesso que já vinha a suspeitar do verdadeiro criminoso algumas páginas bem atrás, no entanto fui surpreendida pelo móbil, gostei da escolha.

“Teia de mentiras” é um Thriller psicológico light. Embora tenha gostado muito, acho que a autora era capaz de conseguir explora-lo um pouco melhor, aumentando o mistério em torno do casal, a pressão psicológica proveniente desse mistério em Sarah, confundir ainda mais o leitor e aumentar o seu sofrimento. Mas talvez o problema seja meu, por ser demasiado apegada aos thrillers psicologicos mais intensos e macabros.

Uma dica: Para quem quiser iniciar-se neste género literário e ache que não está preparada para os mais fortes, este é o livro indicado.

Poderia mesmo nunca ter percebido, ao longo de tanto tempo, quem era o verdadeiro Jack? Teria sido enganada pelos seus modos reservados e pacatos, confundindo-os com timidez e sensibilidade, quando na verdade era pura indiferença? Estaria ela desde sempre casada com um monstro?" (Teia de Mentiras, Heather Gudenkauf, Pág. 176)

Classificação Aneal: (6,5/10)