O Silêncio do Mar, de Yrsa Sigurdardóttir, [Opinião]



Género: Thriller
Editora: Quetzal Editores
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal

Yrsa é uma autora que me fascina com a sua escrita única. A ilusão que ela dá do sobrenatural nos seus mistérios é algo do qual gosto imenso.
"O Silêncio do Mar" é um livro cheio de suspense e mistério que nos faz duvidar da lógica. 

Neste livro Yrsa oferece-nos dois mistérios em paralelo, o da investigação levada a cabo por Thora e o que envolve a viagem em alto mar com os sete tripulantes desaparecidos, escritos em capitulos alternados, mantendo sempre um enorme suspense na mudança de cada um, suspense esse que se arrasta até à última página.

Thora é uma personagem que me cativou desde o primeiro livro escrito com ela como protagonista. Neste Yrsa centrou-se mais na investigação e menos na vida pessoal da Thora, apenas deu um papel mais ativo à sua secretaria Bella, que embora o seu tão característico mau humor e desobediência, acabou por proporcionar umas passagens bem engraçadas ao livro.

Um livro que me arrastou para o interior de um denso mistério, à medida que fui avançando na sua leitura, ao ponto de a determinada altura não conseguir largá-lo. Uma leitura que aconselho sem reservas.

Classificação Aneal: (8/10)





Moonlight Mile, de Dennis Lehane, [Opinião]



Género: Thriller
Editora: Porto Editora
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal

Fiquei muito contente aquando do lançamento deste novo livro de Dennis Lehane, mas estava à espera de muito mais do que o livro me ofereceu.

É um livro em que a pouca acção que tem, está toda ela concentrada apenas nas últimas páginas. A dupla de investigadores Patrick e Angie, agora casados e com uma filha, mudaram a história daquele inteligente dueto que se completava nas investigações.

O que prevalece neste livro e que gostei bastante é o humor sob tensão de Patrick, da picardia entre o casal, a forma como eles se completam devido ao carácter de cada um e do tema abordado pelo autor para escrever o enredo do livro.

O que menos gostei: A cansativa descrição minuciosa dos locais onde Patrick se encontrava, descrito por ele, para que visualizasse-mos através dos seus olhos o que ele próprio via , já para não falar da indumentária de cada personagem que se encontrava nesses locais, desde os sapatos até ao chapéu, se fosse o caso. De salientar que estas descrições a que me refiro, em nada contribuíam para o desenrolar do enredo. 

Achei "Moonlight Mile" um livro escrito de forma cinematográfica, pelo que daria uma boa adaptação ao cinema. 

Para os fãs do autor e que gostaram de "Gone Baby Gone", não deixem de ler este livro, pois a trama diz respeito ao caminho seguido por Amanda, 12 anos após o seu resgate por Patrick. Para mim, um livro para fazer companhia pois lê-se bem e rápido, mas não para me deixar a pensar mais nele, assim que o acabei.

Classificação Aneal: (6/10)

Confissões, de Kanae Minato, [Opinião]



Género: Thriller
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal

“Confissões” foi sem duvida escrito por uma mente brilhante. Um livro onde a vingança pode adquirir diversas formas, onde a crueldade não tem idade definida para desabrochar. Um livro sobre a escuridão que habita na mente humana, por vezes adormecida, sobre como podem determinados fatores acordar a besta que se alimenta dessa escuridão, transformando a mais improvável pessoa num assassino.

Um livro chocante, cruel e realista, que aborda diversas situações capazes de influenciar o desenvolvimento do carácter numa tenra idade, com uma forte necessidade de valorização e reconhecimento quer no seio familiar, quer na escola. Como pode uma má interpretação de atitudes, desencadear uma sequência de atos cruéis e como esses atos são apenas o começo de uma vida onde a inocência de criança deixa prematuramente de existir para dar lugar a um ser desumano.

O livro está escrito sob a forma de diversos capítulos, narrados por diferentes personagens na primeira pessoa. A impotência de uma mãe, a vingança de outra. A indignação de uma irmã, a revolta de uma amiga, a confissão dos dois assassinos alternando com o antes e o depois do fatídico dia, incluído como foi e porquê, planeado e executado o crime.

Um livro de reflexão, que aborda a educação e o seu papel no desenvolvimento da personalidade das crianças e jovens.Também nos dá a conhecer um pouco da cultura japonesa no que respeita ao sistema educacional e judicial.

Por tudo o que referi, classifico este livro como bom e recomendo a sua leitura, no entanto embora tenha gostado bastante do tema abordado e da forma como o livro está estruturado, fiquei com a sensação de que o livro não preencheu na totalidade as minhas expectativas como thriller psicológico, deixando-me um pequeno vazio por preencher.




Classificação Aneal: (6.5/10)

A Quinta Estação, de Mons Kallentoft, [Opinião]



Género: Policial/Thriller
Editora: Dom Quixote
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal

Mons é um fenómeno da literatura policial nórdica. Para mim os seus livros são “arte”, a sua escrita é quase poética no meio de todo aquele horror e de um mal no seu estado mais puro. Uma escrita macabramente envolvente, uma exploração assustadora do comportamento humano.
A sua ousadia vai muito para além do que outros autores se atreveriam, mas é isso que faz com que Mons se destaque, tornando-se para alguns um autor estranho e para outros um autor a seguir religiosamente.

Um livro que não nos poupa a pormenores, com descrições arrepiantes do estado e tortura a que foram sujeitas as vitimas, que nos faz perceber que ainda não lemos tudo que há para ler sobre a maldade e escuridão que habita no ser humano.

Os livros de Mons têm em mim um efeito hipnotizante, uma vez iniciado não há como largá-lo. Não são livros para se lerem na paragem do autocarro, no comboio ou em qualquer outro lugar público, são livros para saborear cada palavra num ambiente de conforto, sem horas marcadas para interrupções.

São como arreias movediças que me arrastam para as profundezas, das quais não quero voltar, deixando-me envolver pelos seus cenários perturbadores, pelas paisagens cheias de vida narradas através de figuras de estilo e pelo encanto dos parágrafos das vitimas que falam com Malin e com o leitor num plano superior após a morte, sendo esta uma grande marca do autor.

“ A Quinta Estação” é um livro assustador e impressionável, que vem fechar o capítulo acerca do grande mistério que envolve a personagem do primeiro volume da série - Maria Murval, graças à persistência e obsessão de Malin. Esta, embora consiga mudar um pouco o seu rumo neste livro, continua a lutar contra os esqueletos que guarda no armário, procurando alcançar a paz.  Os monstro que habitam dentro dela, continuam alimentar-se dos seus sonhos, dos seus medos, exercendo controlo sobre a sua vida sofrida. Ela é uma agradável companhia ao longo das 500 páginas. 

Como já deu para entender, adorei "A Quinta Estação", gosto cada vez mais de Mons Kallentoft e após a leitura deste último livro, para mim o melhor de todos, posso acentuar, que pertence à lista dos meus autores preferidos.

Classificação Aneal: (9/10)

O Segredo do Escritor, de Liz Nugent, [Opinião]



Género: Thriller
Editora: Marcador
Sinopse: Aqui

Opinião: By Aneal


O livro começa com a narrativa na primeira pessoa de Oliver, que me provocou um sabor a fel na boca, tal é o veneno que escorre daquelas palavras. Somos confrontados com uma personagem desprezível, repugnante, um sociopata, no entanto com o avançar da leitura fui-me habituando e deixei de estranhar as suas narrativas e em determinada altura, embora não aceitando-o como justificação para qualquer atitude, acabei por perceber como pode alguém se tornar assim.

Para além dos capítulos narrados por Oliver, também ao longo do livro, várias personagens intervém, cada uma com direito a um capítulo contado na primeira pessoa, relatando de forma lenta para conservar algum mistério ao longo do livro, uma sequência de acontecimentos onde estiveram envolvidos juntamente com Oliver. Esses relatos vêm confirmar ainda mais a sua mente perturbadora. Ele é nos dado a conhecer, não só através dos seus pensamentos e sentimentos, como através desses relatos. Este livro é escrito sob a forma de testemunhos.

A minha repugnância por Oliver andou sempre de mão dada com a intriga, terá havido em determinada altura algum acontecimento desencadeante que o levara a tornasse naquilo que era?

Um livro que me colocou nos bastidores da história de um homem e ao mesmo tempo diante da sua autobiografia, reforçada com o testemunho de todas as personagens do livro.
Ao longo do livro, foi traçado um esboço, pintada uma tela, cuja obra final é um “homem perfeitamente monstruoso”.

“O Segredo do Escritor” é um thriller diferente pela forma como está estruturado, gostei dessa estrutura. Embora o enredo não me tenha enchido as medidas, não deixou de ser bastante interessante conhecer a mente de um sociopata, da capacidade de jogar também ele com a mente dos outros e do argumento usado pela autora como fator desencadeante. Lê-se bem e rápido.

Classificação Aneal: (6/10)